Volto, e volto cheia de novidades. Novidades até demais. Não será a primeira e nem a última vez que digo isso: dias felizes rendem menos escrita. Dias tristes tem posts seguidos, longos, reflexivos. Tenho receio se escrever sobre coisas boas. Sempre soa como se eu me gabasse, como se os meus dias felizes só fossem interessantes para mim e pra quem deles participa. A tristeza faz com que nos reconheçamos como seres humanos. A felicidade é sempre uma outra coisa.
Guaramiranga foi absurdamente fantástico. Primeiro pelo lugar. É interessante passar um tempo sem ir lá e ter uma oportunidade como essa. Vem tudo de novo, a infância e a adolescência escondidas em cada cantinho de sala, pegadas das corridas pelo sitio ainda marcando o chão úmido daquele lugar encantado. E eu havia esquecido disso, tinha esquecido que os anos que passei em Guaramiranga, por mais difíceis, provinciais, por mais que eu morresse de vontade de voltar para Fortaleza e ter uma "vida-de-adolescente-normal", eu era uma menina muito feliz alí. Inocente, aquela inocência da infância, ambientada por um friozinho que eu dava tudo pra ter aqui em Fortaleza. Daí, vem a questão de quem foi. Reuniões com colegas de trabalho podem ser bem chatas, mas é necessário se esforçar muito pra se ser chato em Guaramiranga. Foi bom conviver com pessoas pelas quais você às vezes só passa uma tarde a cada quinze dias, que você vê entre uma aula e outra. Foi bom ficar ainda mais próximo de quem eu já era próximo. Foi bom descobrir que algumas pessoas são mais legais do que parecem e outras, que nem cheiravam e nem fediam, agora terem um cheiro que os identifique:P Tenho fotos(treinei...E COMO!) e memórias fantásticas.
E por falar em memórias, venho pensando nestes dias sobre memórias. O quanto é fantástico presenciar as primeiras vezes das coisas, as suas e as alheias, os pequenos e sutis presentes do destino. Uma boa amizade é feita de bons momentos, de boas memórias. As memórias ruins de dor, de conversa, de apoio, são importantes, sim. Mas elas meio que são um apoio. Uma certeza de que se pode contar com aquele outro ser humano num momento de necessidade. Mas não é a necessidade de colo, de atender uma ligação num momento difícil que nos ligam as pessoas, não é isso que faz com que um risinho de satisfação escape quando num ônibus lotado você comece a rir de alguma piada besta, de uma situação engraçada, de uma experiência divida. Não consigo desvencilhar uma boa amizade de diversão, de experimentar. Espero que meus amigos lembrem de mim com um sorriso no rosto, não com lágrimas nos olhos. Isso está bem longe de ter a ver só com orgulho, tem mais a ver com ser uma boa companhia. E nada me deixa mais feliz que ser e ter uma boa companhia.
Então...Braz-Tesol. Embora tenha dito que não trabalharia, I couldn't help it. É muito tentador ter a chance de aprender coisas novas, ver o que há de novo, rever as velhas discussões. É engraçado ver a ruma de professor de Inglês que tem nessa cidade e nesse país, é interessante levar as típicas injeções de otimismo e auto-valorização pela profissão que escolhi.
O sono bate, um pouco de fome...hora de encerrar o post. Até breve!



