quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sobre Regina Spektor




Depois de um breve deleite com Kate Nash, acredito que, dessa vez, achei uma cantora contemporânea que realmente me chamou a atenção. O nome dela é Regina Spektor e de cara digo que este não é exatamente um nome artístico que me convidaria a ouví-la. Foi pelo MSN, após ouvir as músicas demo que a Longneck postou no myspace da banda que Cícero me indicou "Fidelity" e de lá pra cá é só o que tenho ouvido. Só o clipe já é fantástico. Bem no estilo que eu adoro, preto e branco, idéias mímicas, batom vermelho e um ar antigo-caricato. Sem contar que o que ela faz com a voz é simplesmente magnífico. Tendo esgotado o estoque do you tube é o 4shared quem me ajuda a conhecer mais de minha mais nova mania. Tirem suas próprias conclusões, então. O link abaixo dá acesso ao álbum mais recente dela, Begin to Hope.

http://www.4shared.com/file/47188024/1bd4a411/Regina_Spektor_-_Begin_To_Hope.html?s=1

sábado, 13 de junho de 2009

Sobre trabalhar no Sábado de manhã





Já devo ter escrito por aqui o quanto eu odeio trabalhar dia de sábado. Acho um crime forçar alguém a ter apenas um dia de acordar tarde, o domingo, que passa tão rápido! Trabalhar no sábado (e há quem trabalhe o dia de sábado inteiro) é um crime contra a saúde, o planejamento e o lazer de qualquer ser humano. A semana te consome por completo e quando você acha que acabou, vem o sábado ainda. No domingo, o indivíduo está tão acabado que nem dormir ele consegue, de tão acostumado o relógio biológico já está em madrugar durante os dias úteis.

Este semestre fui obrigada a voltar a dar aulas nos sábados de manhã, à contra-gosto, mas por uma boa causa. Próximo semestre, sem chance. A maioria dos bons eventos da cidade ocorrem na sexta-feira à noite. Eu quero descansar, poder viajar no fim de semana, além de ser também uma tremenda hipocrisia dar aula aos sábados - é notório que se finge que se ensina um idioma uma vez por semana. Sinto-me enganando pessoas. É necessária muita força de vontade e tempo, coisas que o aluno do sábado simplesmente não tem. Da mistura professor cansado mais aluno cansado só frustração pode surgir.



sexta-feira, 12 de junho de 2009

COF COF COF COF COF





Rapaz...quanto tempo longe daqui. Como é que eu crio um blog para não parar mais de escrever e deixo de escrever?
Sem condições!
Volto hoje à ativa.
Mas como toda casa velha, primeiro preciso fazer a faxina para voltar à ativa.
De amanhã em diante, é texto todo dia para alegrar o coração dos meus leitores. Sim todos vocês!
Todos...todo...você aí...EI! Volta aqui!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sobre a gripe, ano novo em Canoa e metas



2009 começa e eu já estou gripada. Espero que isso seja uma espécie de bom presságio, tipo, "ficarás doente agora para não ficar no resto do ano". Isso seria ótimo. Não é isso o que mais nos desejam as mensagens de final de ano, saúde? Já pensou um ano inteirinho sem uma gripezinha sequer? Para mim que não lembro de ter passado na vida sequer um mês sem qualquer queixa, acho que sentiria até falta. E o mais engraçado é que eu tendo a ficar doente quando estou de folga ou de férias. Isso quer dizer que o trabalho me faz bem? Espero que não, o corpo pode adorar mas acordar cedo todos os dias não faz nada bem a mente.

O ano novo foi em Canoa Quebrada. Canoa estava na minha lista de "lugares-que-nunca-fui-e-sinto-vergonha-por-isso", junto com Jeri e com o fato de eu nunca ter comido lagosta. E valeu cada minuto! Mas isso foi o fim da viagem, ate chegar em Canoa há uma longa história...

Eis que passando pela beira-mar, ví uma daqueles carros com propostas de passeios e resolvi pedir informações. Havia um pacote razoável que incluía três praias, Morro Branco, Praia das Fontes e findava em Canoa Quebrada. Parecia realmente interessante. 7:20 da matina estávamos firmes e fortes em frente a um hotel esperando pelo ônibus. Pra começar, demorou um século até saírmos de Fortaleza, entre paradas nos hotéis para catar os turistas e paradas em postos para sacar dinheiro. No caminho, descobrimos que éramos os únicos "nativos", todos os demais eram turistas - a maioria Paulistas. Nunca escondí meu pouco apreço por nossos amigos sibilantes e para completar ainda pegamos um guia turístico incapaz de se calar por um instante e que explicava cada uma das gírias que usava - e não eram poucas. Chegando a Morro Branco, todos descem para pegar os Buggys e aí a primeira decepção: o passeio era pago por fora do pacote, e dava um total de R$60 para nós dois, e isso não nos foi falado em Fortaleza. Revoltados e dispostos a gastar nosso suado dinheirinho com algo mais útil do que um fabuloso passeio de buggy no sol quente com os paulistas, fomos levados, contra a vontade do guia e do motorista, direto para a Praia das Fontes. De forma rabugenta, o guia nos informa que podemos ficar na praia até os demais chegarem e que nem adiantava sair dalí pois grutas e formações interessantes eram longe demais e só seriam alcançadas via buggy. Mas sabe-se que somos rabugentos o suficiente para fazemos nosso próprio passeio e seguimos a andar pela praia. E não é que descobrimos formações e até uma gruta! Na volta, conversando com o guia, passou pela minha cabeça fazer turismo, eu não enganaria as pessoas desta forma.

Chegando a Canoa, descobrimos que a irmã do Felipe estaria por lá e resolvemos abandonar o passeio e ficar por lá até o outro dia. E foi a melhor coisa que fizemos. As fotos que conseguimos são provavelmente as mais bonitas que tiramos desde as de Juazeiro. Viajar é realmente uma coisa fantástica! Canoa é linda, suas areias coloridas, suas falésias, sua segurança...Finalmente conhecí a Broadway, que não tem nada de Broad (largo), mas tem os barzinhos mais fofos do mundo, e até meu sonho realizado, um café com livros à disposição do cliente. Até divagamos acerca de largar tudo por aqui e ir morar por lá, perto de um mar limpo, restaurantes fantásticos e o pôr-do-sol mais acobreado que eu já ví. A única coisa que não vale a pena em Canoa são os garçons. Aliás, foi a unica coisa de útil que o guia nos disse. É cada um mais incompetente que o outro, parece que estão em uma espécie de competição para ver quem atende pior. Tirando isso, foram dois dias magníficos. Uma queima de fogos fantástica, mais um ano novo ao lado do meu amor, numa terra paradisíaca. Um dia ainda nos mudamos para lá, vocês vão ver.



Bom, só posso desejar a todos um 2009 maravilhoso. Não se esqueçam de fazer suas listinhas de promessas. Elas são bastante úteis. Na minha há promessa de comprar um carro, cantar em uma band séria, me firmar como tradutora, me formar, passar o carnaval em Salvador e conhecer o sul no final do ano. Se isso tudo vai acontecer, não sei. Mas sonhar sempre nos foi permitido.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Sobre o Natal, fim de ano e o blog novo




A gente devia viver de férias. Há poucas coisas no mundo melhores do que acordar um dia e não ter certeza de que dia da semana se está. E ler, ler infindavelmente. E dormir. Ultimamente venho dormindo tanto que estou me sentindo culpada. Hoje, por exemplo, resolvi acordar mais cedo (9 horas!) pra fazer alguma coisa de útil como escrever neste blog e divulgar o outro, que é meu e do Felipe. Falarei mais sobre ele amis na frente. A verdade é que estou tentando não pensar em trabalho, naquela miserável condição de ter seu dia dividido em horas, períodos oportunidades limitadas de descanso. E eu estava tão domesticada nessa rotina que nos primeiros dias de férias eu sequer sabia o que fazer. Acabei não fazendo muito do que planejei, mas o ano que se aproxima promete ser bem melhor que ano que passou, só pelo que me apresenta em seus últimos dias. Vou cuidar mais de mim e me dar mais tempo, me formar, cantar profissionalmente, entrar no mestrado, dar mais atenção aos meus. E por mais que isso pareça resolução de fim de ano, isso são metas latejando na minha cabeça, não há como levar a vida que levei no semestre passado.

E como uma das resoluções de fim de ano, voltei a trabalhar com o Felipe em um novo projeto. É a Terra dos Idiotas. Os J Facts agora tem morada garantida, acompanhados da gentileza sutil dos textos do Felipe. A verdade é que fazia tempo que pensávamos em um blog e todos os blogs são muito bonitinhos, buscando o melhor de cada um. E que tal fazer um blog com o pior de nós dois? Jamie Irrita e Fino Felipe, os personagens que falam por nós, são o pior que somos porta de casa adentro. E lá fazemos o que todo mudno gosta de fazer, seja no ônibus, seja no trabalho, seja em casa: reclamar. Pois como deixou claro meu último J fact, há sempre companhia quando se quer reclamar. Vale a pena dar uma olhada.

www.terradosidiotas.wordpress.com

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sobre religiosidade e cegueira



"Minha mãe me disse há tempo atrás Onde você for Deus vai atrás Deus vê sempre tudo que cê faz Mas eu não via Deus Achava assombração, mas... Mas eu tinha medo! Eu tinha medo! "Paranóia, Raul Seixas

Depois de muito ler, vivenciar, buscar entender (e olhe que eu nem tanto li e nem tanto vivenciei), chego a conclusão segura de que a religião é o maior problema da humanidade. Algumas pessoas podem se achar nelas, e eu até acredito que há um período da vida que todos nós precisamos de um conjunto de regras morais pré-estabelecido, seja para seguir, seja para questionar, seja só pelo sentimento de pertencer a algum grupo, seja pela incessante vontade de acreditar em alguma coisa. E a maioria das religiões que conheço nos faz acreditar em absolutamente qualquer coisa além do poder de cada um, nos faz deixar de acreditar em nós mesmos.

É engraçado como somos criados no Brasil. A gente cresce acreditando que só existe uma religião, um Deus, uma forma de pensar. Temos aula de "religião" e não temos a menor idéia do que isso significa. As outras religiões além do Cristianismo e até mesmo a falta de religião é algo inconcebível. Fulaninho é bom por viver na Igreja. Bonito mesmo é se casar de branco, véu e grinalda. E se algo nos indigna a gente automaticamente fala "Oh meu deus...", "Valei-me minha nossa senhora". Está tão cristalizado na gente que a gente nem pensa em olhar pro lado, nem considera que exista outro lado. A gente perde a coisa mais interessante de ser humano que é a possibilidade de se questionar, de ter senso crítico, de escolher. E eu acho isso tão patético quanto um pai neurótico por futebol que enfia uma blusa do time preferido em um bebê e a criança cresce sem direito de escolha, sem saber que tem escolha. É assim com crucifixos, é assim com idas a igreja, é assim com os infindáveis terços que eu tive de rezar e as intermináveis missas que eu tive de assitir e as centenas de genoflexões que tive que fazer para que ninguém olhasse torto para mim e calava-me com o gosto estranho da hóstia na boca.

E eu nunca acreditei. E nem acredito até hoje. Mas isso nunca importou.

Assim que tive idade, dinheiro e independência para fazer minhas próprias escolhas, nunca mais pisei numa igreja, nem pus meu cabelo de lado, nem dei satisfação sobre a minha vida particular e todas aquelas pequenas coisas que a gente sonha fazer na adolescência. E conheci muita gente que me ajudou neste sair do casulo e muita gente assistiu boquiaberto as cores vívidas das asas que eu descobri ter e nem sabia. Acho que nunca vou me esquecer dos meus primeiros dias de faculdade, quando me ví em um lugar onde as pessoas se questionavam. Depois de 8 anos no interior, gostando de rock sozinha, lendo livros que ninguém lá nunca ouviu falar, eu chego aqui e encontro cabeludos, livros a preço de banana e uma ruma de gente pra conversar sobre assuntos que eu jamais imaginei. Eu ví em Fortaleza, esta mísera cidade do nordeste do Brasil, a possibilidade de ter asas. E fui criando dia após dia uma peninha.

Mas e o que isso tudo tem a ver com religião? Tem a ver que a poucos dias, tive minha gota d'água. Uma GRANDE, GRANDE amiga minha, que foi essencial em tantos momentos para rasgar os limites da minha até então limitada compreensão, virou evangélica. E a notícia saiu me rasgando por dentro, como se ela tivesse atingido o ponto mais alto do senso crítico, tivesse olhado para um lado e pro outro e tivesse se jogado de cabeça em direção ao primeiro degrau, uma regressão de conceitos, uma negação de tudo o que ela já disse, foi ou sentiu de legítimo se desfizesse diante dos meus olhos. E que nao venha evangélico nenhum deixar comentário de preconceito ou dizer que eu vou queimar no inferno. Não consigo conceber que uma pessoa de mente tão aberta se entregue a uma religião que trata mulher feito merda, que considera todo mundo culpado desde antes de nascer, que trabalha com o conceito de fez coisa errada-se arrependeu-vai pro céu, é-pq-deus-não-quis, se-Deus-quiser. Aliás, odeio estas duas últimas frases. Deus é a desculpa pra tudo. Por Deus se mata, por Deus se multila física e psicológicamente as pessoas, Deus é a excelente desculpa para tudo.

E o mais indignante é um e-mail que eu recebi outro dia. Um powerpoint ridículo sobre homens armados que entram numa igreja/culto e pergunta quem está disposto a levar uma bala por Cristo. A imensa maioria (CLARO!) sai, uns poucos ficam, os homens armados tiram os capuzes e dizem "Pronto, pastor, os hipócritas saíram". Eu fiquei boquiaberta de ter recebido um e-mail assim, ainda mais de uma pessoa inteligente com ela.

Será uma fase ruim? Será um momento de "fraqueza"? Será o desespero na descrença no ser humano? Será que é essa pessoa que tanto me ajudou a abrir os olhos que desesperadamente se venda?


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sobre o pessimismo




Pensar positivo é de fato algo muito complicado. Não é à toa que existem nas livrarias tantas opções de livros de auto-ajuda que te ajudam a, basicamente, ver a vida de forma positiva o suficiente a ponto de ser possível abrir os olhos de manhã e pensar: eu vou acordar e levantar pois foi isso que fulaninho naquela história sobre o monge fez para ter muito sucesso. E então, como um espelho torno das histórias alheias, é possível ver que com um pouquinho de água e muita, muita boa vontade, sua grama pode ser também bem verde.

E então, teoricamente é só pensar positivo. Ver o copo meio cheio e não meio vazio. Ser um Joseph Klimber com nossas desgraças particulares. Pensar: poderia ser pior. Perder um braço - ou dois - é bem sério, mas será que pensar que a desgraça alheia é mais pesada faz a minha parecer mais leve? Ou será que adiciona um pouco de peso a mais, como se carregassemos agora não só o piano mas também o pianista?

São pensamentos e eles surgem como pop-ups do Internet Explorer e se misturam com as milhares de frases de motivação que ouvimos todos os dias. E se misturam com as posturas que temos que tomar, com as milhares de pessoas que temos que ser e na indagação corrente: como diabos pode caber tantas caras em uma só face, tantos sentimentos em um só peito?

Pensar positivo é estranho e não natural. Mas é necessário. É como usar roupas. Inatural, mas necessário. E eu venho me esforçando muito nesses últimos dias para não ver na possibilidade da queda o desastre. Mas é difícil. As pessoas são pessimistas, o mundo é pessimista, até o sutiã que a gente usa pros peitos não despencarem é pessimista em relação a gravidade. A história é tomar logo o copo - meio cheio, ou meio vazio - de uma vez por todas e vê no que dá, sem esperar pelas coisas boas ou ruins, e sim só pelo que virá.