17 de Abril de 2011
Trilha sonora: Je T'aime (Moi non plus) - Serge Gainsbourg

Um ciclo, uma época, um pedaço de vida. Encerra-se hoje o elemento modificador de meus caminhos e escolhas. Observo como quem quer guardar até os cheiros. Os alunos deixam a sala. Primeiro muitos, depois poucos e o último sai sem olhar para trás. Não olha pois não precisa recordar. Aquela sala é sua rotina, é motivo incômodo para acordar cedo, é para onde se precisa ir, deixando cantina e boas conversas para o fim da aula.
Eu fico.
Eu fico por não mais ficar.
Fico para estar alguns segundos a mais, mais um segundo além dos sete anos ali vividos. Fico e observo as cadeiras brancas bagunçadas, a sala suja, a lousa manchada. E lembro que ali já fui aluna e professora. Este prédio antigo e constantemente pintado de cores estranhas viu-me rir e chorar, acompanhou os acontecimentos mais importantes da minha vida, foi meu lar quando morava longe e quando morava perto.
Tudo girava em torno dele.
Por sete anos meus dias inevitavelmente começaram e/ ou terminavam em um lugar que a cada dia tinha mais faces desconhecidas. Passei de Paula para Jamie, de aspirante a jornalista para professora, de professora para tradutora, quase fui produtora de eventos, de solteira para comprometida, de comprometida para casada, de moradora da Maraponga para moradora do Centro e agora do Benfica.
Pretendo voltar, mas por outros meios. Volto como professora se a vida não desviar os acontecimentos pra um outro fluxo. O que era rotina, agora são lembranças. Guardo um pedaço do CH comigo e sigo em busca de um novo porto.





Hoje é dia dos professores e eu não sei bem o que sentir. Esperei o dia terminar, passar por todas as pequenas comemorações, mensagens, presentinhos. Esperei o gosto dos chocolates deixarem a boca e as mensagens de otimismo se sedimentarem na minha cabeça e se misturarem ao que é de fato a realidade.
Este é o sexto ano em que celebro o dia dos professores como mais que um feriado, como uma comemoração ao que eu faço, aquilo que me dedico a um tempo bem considerável se for levado em conta minha idade. Em todos esses anos, recebi muitos parabéns e alguns presentinhos neste dia, uns anos mais, outros anos menos. Mas neste ano, recebi o maior dos presentes que um professor pode receber: a constatação de ter feito parte do aprendizado de alguém, de ter auxiliado na descoberta de algo fascinante como o conhecimento, e ainda mais por ser o conhecimento de uma língua estrangeira que tanto amplia os horizontes, tanto psicológicos quanto físicos. Ontem descobri que um colega de faculdade e de profissão foi meu aluno de primeiro semestre. E eu não lembrava disso. Um falante proficiente da língua, estudante de Letras, que lê Shakespeare nas cadeiras da Salete, e foi meu aluno de primeiro semestre! Isso mexeu bastante comigo. Como professores de idiomas, muitas vezes possuímos uma noção muito quebrada do aprendizado dos alunos. Somos responsáveis por eles durante um semestre e por um conteúdo específico, no próximo semestre outros alunos virão e então eles serão o foco. E não reparamos que os alunos do semestre anterior vão continuar aprendendo e utilizando muito daquilo que você ensinou nos semestres iniciais. Imagina a responsabilidade disso: o que você ensinou vai determinar em grande parte se aquele aluno vai ser proficiente ou não. E isso é uma responsabilidade daquelas. E eu vislumbrei este responsabilidade ontem como se tivessem acendido uma luz que iluminava tudo quando até então eu riscava fósforos para não tropeçar no caminho. Haverá presente melhor de dia dos professores que esse? Haverá chocolate ou textos motivacionais que possam chegar aos pés da emoção de ver seu trabalho justificado, de ver que você ajudou a construir um conhecimento que vai seguir em um ser humano eternamente? E mais do que isso em um ser humano que tornou-se também um professor? Esse foi meu presente. Saber que por mais complicada e cansativa seja minha profissão ela vale muito à pena.
E o engraçado é que no post anterior eu vangloriava a tradução. Eis meu eterno impasse: como ser feliz se duas coisas tão semelhantes e tão diferentes me fazem de forma tão semelhante e tão diferente me fazem completa. Complicado assim mesmo, como a frase anterior. É ver dois caminhos diante de si e eles serem igualmente floridos e tentadores, cada um com suas compensações, cada um com suas vantagens e desvantagens.
E é assim que esta tradutora-professora, ou esta professora-tradutora deseja a todos os professores do mundo, oficiais ou não, experientes ou não, que possam sentir o que senti hoje. Um sentimento contagiante de fazer a diferença. Pois esta é a essência do professor. Além dos pincéis, das tarefas de casa, além das noites mal dormidas, das histórias de sala de aula, dos alunos, de suas vidas, de nossas vidas. Tudo isso faz com que sejamos os segundos pais de nossos alunos, pais que não possuem a cobrança do sangue, pais que escolhemos ser, pais que ensinam, influenciam e guiam para além daquela uma hora de aula. O que acontece na sala de aula perdura por toda a vida daqueles envolvidos. Que sejam sempre positivas as influências tanto vindas de você quanto vindas dos seus alunos. E Feliz Dia dos Professores!

Ele possui quatro entonações para meu primeiro nome: a de surpresa, a de indignação, a de raiva (geralmente gerada pela insistência) e a tremida, de riso. Ele ainda é muitas coisas que eu já fui, coisas que eu estou sendo e possui sonhos ao mesmo tempo parecidos e completamente diferente dos meus. Ele descobre as coisas que eu já sei e nisso eu vou reaprendendo, e quando vejo ele vai e me ensina algo novo.Pode ser o coroinha ou o cafetão, pode defender por horas o padrão e no outro minuto provar pizza de rapadura, e isso permite conversas infindáveis enquanto as horas, os trabalhos, as aulas justificam uma presença que vai, em essência, além de tudo isso."Posto" de um lugar incomum: do laboratório de informática da UECE. Pense num lugar que pisei pouquíssimo! Sem a cara de pau necessária para se entrar em uma aula de grego às 8:36, resolví gastar R$1,00 do cartãozinho e fazer alguma coisa de útil. Tão útil quanto postar no próprio blog pode ser. E é engraçado pq eu tinha um cartão desse em 1512. Lembro que pra conseguir o cartão no meu primeiro semestre, era necessário apresentar um certificado de um curso de informática que o indivíduo tenha cursado, o histórico ou declaração do curso e a graninha. Hoje eu cheguei lá dei "os 1 real" e fui feliz. De fato, afixado na cortiça ainda presente na sala, estão estas recomendações. Mas elas não fazem sentido hoje em dia. Primeiro, por que uma parcela assombrosa da população já sabe mexer nesta bendita máquina chamada computador, ás vezes melhor que qualquer outra coisa na vida. Depois, eles deveriam exigir na verdade um curso de informática para computadores mais antigos pois esses aqui são pré-históricos. Do tempo que a gente chamava a CPU de "CPU torre", daqueles que tem um botão turbo pra quando a máquina travar você dá um tapão, mas um tapão virtual, não daqueles que o monitor voa longe. Me lembro do meu primeiro pc, que usava ainda o DOS ( CD:/ windows kkk) ainda da tela verde e que pegava Floppy disc, um troço quase do tamanho de uma mão que não armazenava nem o que um disquete armazena, isso junto de uma impressora daquelas que pegava aquele papel com furinhos, e tão arcaica que se você mexesse no texto digitado no Word Star, o word da época, enquanto a impressora imprimia, suas alterações saíam no papel. Depois disso, veio o windows 3.1 e pra mexer nele eu precisei fazer um curso na Sigma, que era o cúmulo da modernidade em Pacoti. Era tudo tão novo! Tinha cores, um mouse, tudo tão interativo, cheio de janelas. O windows 3.1 era na verdade como uma grande mesa bagunçada, daquelas que quanto mais você arruma, pior fica. As janelas ficavam todas abertas na área de trabalho e ai de você se miniminizasse, haja zé pra achar de novo aquele diretório importantíssimo. Foi nele que me senti a maior artista plástica de todos os tempos por ter descoberto como fazer efeito de neve no Paint (baldinho pra pintar a tela de preto, ferramenta spray no branco, pressiona o botão esquerdo do mouse e displicentemente faça linhas horizontais e verticais. Fica lindo:D). Dele pro 95, pro 98, pro 200o, pro Mx até chegar no atual XP, o windows mais bonitinho, prático que enfim conhecemos. Ah, durante um tempo tentei usar o linux, mas como o mundo é do Windows é um saco ficar salvando tudo para ser compatível com o windows e por mais que eu admire a iniciativa do Linux, a preguiça me venceu, assim como venceu quase todo mundo. Meu único amigo que ainda usa Linux, que eu saiba, é o Roger. Mas quem tem a determinação necessária pra parar de fumar e ser vegetariano, usar Linux é fichinha:P
Hahahahahahahaha...acabei de me lembrar que a coisa mais importante que aprendi sobre computadores é que a PORCARIA da tecla de Insert pode te dar muita, muita dor de cabeça.
Hoje minha mãe cantará num barzinho/estúdio chamado Vocalize. E por mais que seja uma apresentação pequena, com um repertório limitado a em média 30 músicas, sei que representa muito para ela e eu estarei lá, sem dúvida. Até pq faz 14 anos que não ouço minha mãe cantar e, como em mim, cantar é uma necessidade para ela. Cantar nos faz feliz. E modéstia à parte, minha mãe canta muuuito bem. Pra quem não sabe, meus pais, minha mãe e meu pai biológico, tinham uma banda cover de Beatles, o The Shout. Tínhamos um pequeno estúdio de ensaio nos fundos da casa com as parades forradas com caixas de ovos para abafar o barulho e eu adorava ficar vendo os infindáveis ensaios e, quando podia, ir aos shows. Eu me apaixonei pela música bem cedo, convivendo com músicos e seu universo sofrido-fantástico, babando pelas roupas dos shows da minha mãe (lembro especialmente de uma bolsa de franjas que minha mãe tinha absolutamente escândala!), isso sem contar com a mágica dos palcos, das luzes, do cheiro formidável do gelo seco. Não escondo pra ninguém que o sonho da minha vida é, enfim, ter uma banda e nela ser vocalista. Até banda de baile rolava, não sendo forró eu estaria lá. Tenho uma admiração imensa por aqueles que sabem tocar um instrumento musical pois o único que eu conseguí dominar até hoje foi minha própria garganta, até com a panderola eu me embanano. Quem sabe na minha terceira idade, com a vida ganha e filhos criados eu possa, enfim, realizar meu sonho. Minha mãe nem precisou esperar tanto.
Literatura traduzida me espera, vamos enfim terminar os sonetos de shakespeare:D
