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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

J facts: North Shopping


Habitantes comuns do Shopping (?) mais sem noção de Fortaleza. Detalhe: A foto está intitulada como "Lingudos no North Shopping," no Google Imagens

J fact 1: O North Shopping é Hogwarts. Isso num é um J fact. É uma coisa óbvia. J.K.Rowling visitou o Brasil, foi ao North Shopping e disse: É isso!Um dia a escada está lá, no outro dia não está mais. Elas tem vontade própria. E ainda tem a escada assassina que dá para o cinema. Alí é a seletiva. Você quer mesmo assistir este filme? Qualquer um com bom senso não subiria em uma escada vazada tremendamente alta. E quem tem bom senso também não volta mais alí. E ainda falando em escadas tem SEMPRE uma das escadas rolantes em manutenção. A desculpa mais descarada do mundo pra economizar energia.

J fact 2: O North Shopping está SEMPRE em reforma. E não é ajeitando uma coisa aqui ou outra alí, um dia tem um parque, outro dia um campo de construção. E você é obrigado a passar por debaixo de vigas pensas sustentando a passagem para os pedreiros. Coisa triste. Um dia eles acabam criando uma passagem que dê direito num terminal ou coisa do tipo. Ou pro inferno. Mas aí via depender da vontade das escadas.

J fact 3: Quem anda sempre no North Shopping adora aquilo. E não se perde. Claro! É meia década para entender a lógica daquele local, pois de nada adianta aprender o caminho, você tem que entender a lógica das bifurcações e das escadas. A pessoa passa tanto tempo pra aprender aquilo que depois de aprender não consegue mais entrar em um shopping organizado, enche a própria casa de escadas. E reza pra que elas tenham vida própria.

J fact 4: O North Shopping possue uma espécie de imã pra doidin. Tá certo que qualquer shopping chinfrim é capaz de fazer isso, mas o North Shopping se supera. A cada 10 pessoas, sete são uma mistura de "paty-gótico-com-camisa-da-Amy-Lee-disforme-pitty-atropelada-com-lápis-de-olho-barato-e-munhequeira-do-cpm-22". Eu não vou nem chamar de emo, por que emo se dá mais ao respeito. Dos três que sobram dos 10, dois são algum tipo de babaca correndo com a coroa de papelão do Burguer King ( qual é a graça disso, PELAMORDEUS?!) e a outra é uma velha. Até porque velha é coisa que se espalha.

J fact 5: As pessoas que trabalham lá, especialmente os seguranças e vendedores de sapato (as prováveis criaturas mais chatas da face da terra, acho que eles pedem emprego montando acampamento na frente das lojas, cantando paródias de forrós incluindo nas letras a vontade de ter um emprego e só os mais chatos conseguem), acham que você tem plena obrigação de saber onde fica cada mísera loja daquele antro. E ficam olhando pra você com cara de "me poupe, vai dizer que você não sabe onde é?" quando você pergunta onde diabos está o supermercado que era vizinho à loja de sapato. E apontam com desdém enquanto um "aff" escorre pelo canto da boca.

J fact 6: O North Shopping é tão desorganizado, mas tão desorganizado que eu dou minha cara à tapa como o Supermercado Lagoa contratou um conjunto de seres humanos só pra ficarem doentiamente organizando todos os produtos da loja. E só pra loja do North Shopping. Eu não tô brincando, nunca entrei num supermercado no qual os produtos estivessem tão metodicamente organizado. Os pacotinhos de arroz, os de Bombril, até os pacotes de queijo parmesão ralado, a coisa mais caótica deste mundo. Chega a incomodar a vista, você imediatamente olha pros lados pra verificar se não estão gravando um comercial ou coisa que o valha.

Exagero meu. Olha este blog aqui. Procurando fotos do North Shopping achei outro ser humano indignado.

J fact especial: Pra reclamar de alguma coisa, sempre haverá companhia neste mundo!

domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre tapas na cara, auto-avaliação, Cegueira, North Shopping e a Síndrome Galvão Bueno

Esse tapa na cara aí eu também preciso levar todos os dias.


Long time, no see!

Nossa, chega as coisas estão empoeiradas por aqui. Passei um bom tempo longe, mas volto com toda a ânsia de escrita. Espero que a saudade tenha brotado no coraçãozinho-leitor de cada um de vocês. Saudade é bom, afinal. Faz a gente criar expectativas, refletir sobre tudo o que vivemos e ponderar sobre o futuro.

Nossa isso tudo por ter ficado um tempo longe do blog?

Ficar longe do blog é só uma consequência da bagunça que minha vida virou nestes últimos dias. Como uma TPM de um mês, imagina aí. Mas foi bom, crise é um negócio engraçado. Sem ela não há evolução e sem evolução não há muita diferença entre eu e este grampeador aqui ao meu lado. Isso falado parece besteira, mas isso vivido faz toda diferença. Quem nunca levou um pé na bunda, foi demitido, traído, perdeu apostas e entrou em um inferno astral daqueles brabos não sabe aproveitar os períodos de calmaria que a vida oferece. Pior que isso: nem sequer reconhece um bom período. O que quer dizer que deveríamos agradecer (a Deus, aos Deuses, a si mesmo ou seja lá no que se acredite) as épocas de dificuldade, seja ela psicológica, física, financeira ou emocional. E eu nem sei o porquê de separá-las por vírgulas pois quando a coisa aperta mesmo uma puxa a outra.

Mas, Ó, o que terá acontecido com esta jovem de cachos saltitantes?

Auto-avaliação. Tapas doloridos que a vida dá.

"Ai ,quer ser tradutora?"
PAH!

Tapa na cara: Será que você sabe Inglês o suficiente? Será que você tem estrutura psicológica? Será que não é mais uma das suas "leonices" de começar e se empolgar com as coisas como se aquele troço novo fosse o acontecimento mais relevante da sua existência e depois você vai deixar pra lá? Será que não tem por aí gente o suficiente traduzindo? Será que você tem o dom? E existe esse negócio de dom?

E isso é só meu caso, mas quanto tapas na cara a vida não já te deu? Quantas vezes você não teve que frear a empolgação, maneirar, ou até desistir de um projeto por motivos internos e externos?

Isso é bom, mas a gente não vê no meio do furacão como quem tá de fora. A gente quer que passe e passe logo. Esse negócio de crise dá muito trabalho pois crescer dá muito trabalho. E a cada ano que passa mais uma ruga aparece em meu rosto e eu me torno um pouco mais vivida, um pouco mais sacada, um pouco mais pronta pra seja lá o que venha a acontecer e quando eu estiver me sentido... PAH! Um tapa bem Maxwell Silver Hammer. Bang Bang! Marteladas na cabeça e a consciência sussura sorrateiramente...."Ei....você não sabe é de NADA!hahahaHAHAHA!".

E lá vai nego aprender tudo de novo. Outro ciclo começa, você mais forte, o mundo mais cruel e lá vamos nós. A vida é uma roda gigante apavorante. Mas a gente sempre paga pra ir de novo.

O negócio é esperar pela minha própria carta da Torre e ver castelos ruírem e deles fazer o novo.

Let's see.


E enquanto eu espero (ouvindo "Hey you've got to hide your love away" dos Beatles, vídeo no final deste post), posso enfim comentar o Ensaio sobre a Cegueira, ou melhor...Blindness, como foi chamado o filme baseado no livro fantástico de José Saramago (sou um tanto suspeita para falar de Saramago), dirigido por Fernando Meireles. Depois de muito espera posso dizer que:

1) Fantástico o filme não é, mas é muito bom sim. Chorei horrores, principalmente na terrível cena do estupro coletivo, mas certas coisas como a ausência de importância dada ao Cão das Lágrimas no filme (que sequer é nomeado como tal) foi só uma das coisas de que eu senti falta. Aí alguém diz: mas tudo não podia ter. Só que tem coisa que é essencial. Pelo menos pra mim.

2) Fã é foda. Depois de ver o filme pensei comigo mesma que podia ter sido a maior obra de arte, eu teria botado defeito pq Saramago é Saramago e melhor do que o que ele escreveu não tem como ter. Filme nenhum. Posso estar errada, mas isso faz com que eu tenha uma visão um tanto mais realista das minhas análises.

3) Quando as luzes se apagaram, Felipe sussurou no meu ouvido: "Bem-vinda ao pior cinema da cidade". Achei que era exagero dele. Até pq o North Shopping (ou melhor, Hogwarts, uma vez que como a escola de bruxos, as escadas de lá mudam de lugar aparentemente por vontade própria), é o shopping mais desorganizado que já conhecí, então talvez ele estivesse influenciado. Mas que nada. Levei meu casaco na bolsa pois sempre sinto frio em sessões de cinema, mas nem lembrei dele. Tava quente, lotado, com um áudio ruim e o pior de tudo - com o PIOR público que um filme pode possuir. Uma mistura disforme de adolescentes na puberdade com pouco ou nenhum poder de concentração, mulheres mal educadas que acham super conveniente conversar dentro do cinema (faz toda a lógica, é escuro e tem um filme passando e pessoas querendo prestar atenção, então, pq não conversar?!) e os velhos "relatores do óbvio". Ah, esses são os que mais me irritam. E não importa quantas vezes eu escreva isso aqui, eu vou sempre repetir. Eu odeio os relatores do óbvio. Um homem com uma faca, uma vítima acuada...polegar, indicador, polegar, indicador(by Malena)...SERÁ QUE ELE VAI SER ASSASSINADO? SERÁ?!!!. Aí o filho da mãe tem que dizer..."Ele vai matar ele.....". Perdoando o Português do retardado...É nada?! Mas ele não consegue continuar respirando se não disser aquilo, o sangue nas veias dele vira pedra se ele não narrar o que vai acontecer. Também conhecida como a "Síndrome Galvão Bueno", isto está dia após dia me afastando das salas de cinema. E quando pelo no North Shopping, um corvo chega na minha janela e diz: Nevermore!!!(e não há ressentimento em suas palavras....)

Aliás, o North Shopping devia render um J Facts, mas tô irritada demais pra pensar neles agora.

O clipe, um dos mais estranhos dos Beatles, You've got to hide our love away, que tem tudo a ver com os tapas na cara.