quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sobre O Dia dos Professores


Hoje é dia dos professores e eu não sei bem o que sentir. Esperei o dia terminar, passar por todas as pequenas comemorações, mensagens, presentinhos. Esperei o gosto dos chocolates deixarem a boca e as mensagens de otimismo se sedimentarem na minha cabeça e se misturarem ao que é de fato a realidade.

Este é o sexto ano em que celebro o dia dos professores como mais que um feriado, como uma comemoração ao que eu faço, aquilo que me dedico a um tempo bem considerável se for levado em conta minha idade. Em todos esses anos, recebi muitos parabéns e alguns presentinhos neste dia, uns anos mais, outros anos menos. Mas neste ano, recebi o maior dos presentes que um professor pode receber: a constatação de ter feito parte do aprendizado de alguém, de ter auxiliado na descoberta de algo fascinante como o conhecimento, e ainda mais por ser o conhecimento de uma língua estrangeira que tanto amplia os horizontes, tanto psicológicos quanto físicos. Ontem descobri que um colega de faculdade e de profissão foi meu aluno de primeiro semestre. E eu não lembrava disso. Um falante proficiente da língua, estudante de Letras, que lê Shakespeare nas cadeiras da Salete, e foi meu aluno de primeiro semestre! Isso mexeu bastante comigo. Como professores de idiomas, muitas vezes possuímos uma noção muito quebrada do aprendizado dos alunos. Somos responsáveis por eles durante um semestre e por um conteúdo específico, no próximo semestre outros alunos virão e então eles serão o foco. E não reparamos que os alunos do semestre anterior vão continuar aprendendo e utilizando muito daquilo que você ensinou nos semestres iniciais. Imagina a responsabilidade disso: o que você ensinou vai determinar em grande parte se aquele aluno vai ser proficiente ou não. E isso é uma responsabilidade daquelas. E eu vislumbrei este responsabilidade ontem como se tivessem acendido uma luz que iluminava tudo quando até então eu riscava fósforos para não tropeçar no caminho. Haverá presente melhor de dia dos professores que esse? Haverá chocolate ou textos motivacionais que possam chegar aos pés da emoção de ver seu trabalho justificado, de ver que você ajudou a construir um conhecimento que vai seguir em um ser humano eternamente? E mais do que isso em um ser humano que tornou-se também um professor? Esse foi meu presente. Saber que por mais complicada e cansativa seja minha profissão ela vale muito à pena.

E o engraçado é que no post anterior eu vangloriava a tradução. Eis meu eterno impasse: como ser feliz se duas coisas tão semelhantes e tão diferentes me fazem de forma tão semelhante e tão diferente me fazem completa. Complicado assim mesmo, como a frase anterior. É ver dois caminhos diante de si e eles serem igualmente floridos e tentadores, cada um com suas compensações, cada um com suas vantagens e desvantagens.

E é assim que esta tradutora-professora, ou esta professora-tradutora deseja a todos os professores do mundo, oficiais ou não, experientes ou não, que possam sentir o que senti hoje. Um sentimento contagiante de fazer a diferença. Pois esta é a essência do professor. Além dos pincéis, das tarefas de casa, além das noites mal dormidas, das histórias de sala de aula, dos alunos, de suas vidas, de nossas vidas. Tudo isso faz com que sejamos os segundos pais de nossos alunos, pais que não possuem a cobrança do sangue, pais que escolhemos ser, pais que ensinam, influenciam e guiam para além daquela uma hora de aula. O que acontece na sala de aula perdura por toda a vida daqueles envolvidos. Que sejam sempre positivas as influências tanto vindas de você quanto vindas dos seus alunos. E Feliz Dia dos Professores!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sobre tradução simultânea e muitos, muitos post-its

(Foto de celular...em breve teremos as fotos de verdade:D)

Devido ao sucesso do post anterior, resolvi deixar o blog um cadim mais aproveitando o sucesso antes de um outro post. Mas depois deste fim de semana, não poderia deixar de vir aqui.

Eis que fui convidada pela Malena para a loucura mais louca dos últimos tempos: abraçar um trabalho de tradução simultânea em um congresso de medicina pediátrica em pleno Centro de Convenções. Achou pouco a responsabilidade? Adicione isso ao fato de que eu havia ido para o tributo ao Bon Jovi pela Vulcani no Órbita na sexta e que tinha chegado ao casa às 3 da matina e que ela me liga às 7:36 da manhã do Sábado dizendo que o congresso começaria às 8:00, 8:30 por um atraso. Tive exatamente 3 segundos para me decidir e sem pestanejar (adoooro essa expressão) vesti minha roupinha e me soquei no primeiro taxi que me surgiu.

Adoro essas particularidades da vida. Há semanas eu vinha comentando com algumas pessoas como eu gostaria de me tornar tradutora simultânea e numa bela manhã de Sábado isso simplesmente me surge. Tenho minhas suspeitas de que a Malena não é humana e sim uma espécie de semi-deusa confirmada dois médicos cumprir a loucura mais louca dos últimos tempos, fazer tradução simultânea sem nunca antes ter sequer entrado naquela cabine quente e que, de fato, é uma panela de pressão daquelas. Não só pelo calor, mas pela ansiedade, pelos milésimos de segundo que temos para tomar uma decisão, pela sensação gostosa que percorre o corpo quando você percebe que está dando certo, que as pessoas estão entendendo e que você desenvolveu em horas a tal capacidade de ouvir e falar ao mesmo tempo em duas línguas diferentes. E a cada nova palestra, novas estratégias eram criadas, mais seguras ficávamos, e mais eu tinha certeza de que é isso mesmo que eu quero. Alguns sotaques absurdos, alguns palestrantes que por algum motivo fazem um slide show completamente diferente do que estão dizendo, outros palestrantes que deram verdadeiras aulas de como apresentar-se bem, de forma didática e objetiva e as duas intérpretes (veeixe) aprendendo e se deliciando com aquela maravilhosa nova experiência.

O engraçado é tudo que nós lêmos sobre tradução na cadeira de Aspectos teóricos e práticos daTradução ( da qual a Malena é a professora e eu aluna) ia se confirmando. E temos tanto a falar na próxima aula que eu preciso fazer um roteiro pra não passar das 9:30.

Enfim, foi absurdamente fantástico apesar do cansaço mental extraordinário. Até agora eu escuta as pessoas falando e a mente vai traduzindo. Aprendemos, entre outras coisas que:

1) É necessário uma boa noite de sono antes de pegar um evento assim;
2) Sem a ajuda dos médicos nós teríamos sido linxadas, uma vez que não pudemos estudar os assuntos anteriormente (e eles foram super atenciosos!)
3) Um intérprete é feito de uma mistura homogênea de calma, água, atenção e MUITOS, MUITOS post-its! De outra forma, como lembrar no calor das emoções sempre que aparecer a palavra "screening" que há de se dizer triagem? ou que BMI é Índice de Massa Corporal? E como avisar ao colega um termo que ele não tá conseguindo traduzir. A cabine ficou REPLETA de post-its. Aqueles papézinhos coloridos nunca foram tão úteis :D (amo ainda mais)
4) É absurdamente impossível trabalhar sozinho, há de se formar uma dupla dinâmica para cumprir a tarefa.
5) É necessário saber lidar com os imprevistos e acima de tudo ser muito, muito macho pra dar a cara à tapa e ser responsável pela informação que adentra os ouvidos das pessoas que não falam aquela língua e que estão contando com você pára entendê-la. Living on the edge total. E eu ADOREI!

Muito prazer, Jamie Barteldes, tradutora simultânea.:D

ps: sim, eu vou fazer todos os cursos necessários:D

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

J facts: North Shopping


Habitantes comuns do Shopping (?) mais sem noção de Fortaleza. Detalhe: A foto está intitulada como "Lingudos no North Shopping," no Google Imagens

J fact 1: O North Shopping é Hogwarts. Isso num é um J fact. É uma coisa óbvia. J.K.Rowling visitou o Brasil, foi ao North Shopping e disse: É isso!Um dia a escada está lá, no outro dia não está mais. Elas tem vontade própria. E ainda tem a escada assassina que dá para o cinema. Alí é a seletiva. Você quer mesmo assistir este filme? Qualquer um com bom senso não subiria em uma escada vazada tremendamente alta. E quem tem bom senso também não volta mais alí. E ainda falando em escadas tem SEMPRE uma das escadas rolantes em manutenção. A desculpa mais descarada do mundo pra economizar energia.

J fact 2: O North Shopping está SEMPRE em reforma. E não é ajeitando uma coisa aqui ou outra alí, um dia tem um parque, outro dia um campo de construção. E você é obrigado a passar por debaixo de vigas pensas sustentando a passagem para os pedreiros. Coisa triste. Um dia eles acabam criando uma passagem que dê direito num terminal ou coisa do tipo. Ou pro inferno. Mas aí via depender da vontade das escadas.

J fact 3: Quem anda sempre no North Shopping adora aquilo. E não se perde. Claro! É meia década para entender a lógica daquele local, pois de nada adianta aprender o caminho, você tem que entender a lógica das bifurcações e das escadas. A pessoa passa tanto tempo pra aprender aquilo que depois de aprender não consegue mais entrar em um shopping organizado, enche a própria casa de escadas. E reza pra que elas tenham vida própria.

J fact 4: O North Shopping possue uma espécie de imã pra doidin. Tá certo que qualquer shopping chinfrim é capaz de fazer isso, mas o North Shopping se supera. A cada 10 pessoas, sete são uma mistura de "paty-gótico-com-camisa-da-Amy-Lee-disforme-pitty-atropelada-com-lápis-de-olho-barato-e-munhequeira-do-cpm-22". Eu não vou nem chamar de emo, por que emo se dá mais ao respeito. Dos três que sobram dos 10, dois são algum tipo de babaca correndo com a coroa de papelão do Burguer King ( qual é a graça disso, PELAMORDEUS?!) e a outra é uma velha. Até porque velha é coisa que se espalha.

J fact 5: As pessoas que trabalham lá, especialmente os seguranças e vendedores de sapato (as prováveis criaturas mais chatas da face da terra, acho que eles pedem emprego montando acampamento na frente das lojas, cantando paródias de forrós incluindo nas letras a vontade de ter um emprego e só os mais chatos conseguem), acham que você tem plena obrigação de saber onde fica cada mísera loja daquele antro. E ficam olhando pra você com cara de "me poupe, vai dizer que você não sabe onde é?" quando você pergunta onde diabos está o supermercado que era vizinho à loja de sapato. E apontam com desdém enquanto um "aff" escorre pelo canto da boca.

J fact 6: O North Shopping é tão desorganizado, mas tão desorganizado que eu dou minha cara à tapa como o Supermercado Lagoa contratou um conjunto de seres humanos só pra ficarem doentiamente organizando todos os produtos da loja. E só pra loja do North Shopping. Eu não tô brincando, nunca entrei num supermercado no qual os produtos estivessem tão metodicamente organizado. Os pacotinhos de arroz, os de Bombril, até os pacotes de queijo parmesão ralado, a coisa mais caótica deste mundo. Chega a incomodar a vista, você imediatamente olha pros lados pra verificar se não estão gravando um comercial ou coisa que o valha.

Exagero meu. Olha este blog aqui. Procurando fotos do North Shopping achei outro ser humano indignado.

J fact especial: Pra reclamar de alguma coisa, sempre haverá companhia neste mundo!

domingo, 14 de setembro de 2008

Sobre tapas na cara, auto-avaliação, Cegueira, North Shopping e a Síndrome Galvão Bueno

Esse tapa na cara aí eu também preciso levar todos os dias.


Long time, no see!

Nossa, chega as coisas estão empoeiradas por aqui. Passei um bom tempo longe, mas volto com toda a ânsia de escrita. Espero que a saudade tenha brotado no coraçãozinho-leitor de cada um de vocês. Saudade é bom, afinal. Faz a gente criar expectativas, refletir sobre tudo o que vivemos e ponderar sobre o futuro.

Nossa isso tudo por ter ficado um tempo longe do blog?

Ficar longe do blog é só uma consequência da bagunça que minha vida virou nestes últimos dias. Como uma TPM de um mês, imagina aí. Mas foi bom, crise é um negócio engraçado. Sem ela não há evolução e sem evolução não há muita diferença entre eu e este grampeador aqui ao meu lado. Isso falado parece besteira, mas isso vivido faz toda diferença. Quem nunca levou um pé na bunda, foi demitido, traído, perdeu apostas e entrou em um inferno astral daqueles brabos não sabe aproveitar os períodos de calmaria que a vida oferece. Pior que isso: nem sequer reconhece um bom período. O que quer dizer que deveríamos agradecer (a Deus, aos Deuses, a si mesmo ou seja lá no que se acredite) as épocas de dificuldade, seja ela psicológica, física, financeira ou emocional. E eu nem sei o porquê de separá-las por vírgulas pois quando a coisa aperta mesmo uma puxa a outra.

Mas, Ó, o que terá acontecido com esta jovem de cachos saltitantes?

Auto-avaliação. Tapas doloridos que a vida dá.

"Ai ,quer ser tradutora?"
PAH!

Tapa na cara: Será que você sabe Inglês o suficiente? Será que você tem estrutura psicológica? Será que não é mais uma das suas "leonices" de começar e se empolgar com as coisas como se aquele troço novo fosse o acontecimento mais relevante da sua existência e depois você vai deixar pra lá? Será que não tem por aí gente o suficiente traduzindo? Será que você tem o dom? E existe esse negócio de dom?

E isso é só meu caso, mas quanto tapas na cara a vida não já te deu? Quantas vezes você não teve que frear a empolgação, maneirar, ou até desistir de um projeto por motivos internos e externos?

Isso é bom, mas a gente não vê no meio do furacão como quem tá de fora. A gente quer que passe e passe logo. Esse negócio de crise dá muito trabalho pois crescer dá muito trabalho. E a cada ano que passa mais uma ruga aparece em meu rosto e eu me torno um pouco mais vivida, um pouco mais sacada, um pouco mais pronta pra seja lá o que venha a acontecer e quando eu estiver me sentido... PAH! Um tapa bem Maxwell Silver Hammer. Bang Bang! Marteladas na cabeça e a consciência sussura sorrateiramente...."Ei....você não sabe é de NADA!hahahaHAHAHA!".

E lá vai nego aprender tudo de novo. Outro ciclo começa, você mais forte, o mundo mais cruel e lá vamos nós. A vida é uma roda gigante apavorante. Mas a gente sempre paga pra ir de novo.

O negócio é esperar pela minha própria carta da Torre e ver castelos ruírem e deles fazer o novo.

Let's see.


E enquanto eu espero (ouvindo "Hey you've got to hide your love away" dos Beatles, vídeo no final deste post), posso enfim comentar o Ensaio sobre a Cegueira, ou melhor...Blindness, como foi chamado o filme baseado no livro fantástico de José Saramago (sou um tanto suspeita para falar de Saramago), dirigido por Fernando Meireles. Depois de muito espera posso dizer que:

1) Fantástico o filme não é, mas é muito bom sim. Chorei horrores, principalmente na terrível cena do estupro coletivo, mas certas coisas como a ausência de importância dada ao Cão das Lágrimas no filme (que sequer é nomeado como tal) foi só uma das coisas de que eu senti falta. Aí alguém diz: mas tudo não podia ter. Só que tem coisa que é essencial. Pelo menos pra mim.

2) Fã é foda. Depois de ver o filme pensei comigo mesma que podia ter sido a maior obra de arte, eu teria botado defeito pq Saramago é Saramago e melhor do que o que ele escreveu não tem como ter. Filme nenhum. Posso estar errada, mas isso faz com que eu tenha uma visão um tanto mais realista das minhas análises.

3) Quando as luzes se apagaram, Felipe sussurou no meu ouvido: "Bem-vinda ao pior cinema da cidade". Achei que era exagero dele. Até pq o North Shopping (ou melhor, Hogwarts, uma vez que como a escola de bruxos, as escadas de lá mudam de lugar aparentemente por vontade própria), é o shopping mais desorganizado que já conhecí, então talvez ele estivesse influenciado. Mas que nada. Levei meu casaco na bolsa pois sempre sinto frio em sessões de cinema, mas nem lembrei dele. Tava quente, lotado, com um áudio ruim e o pior de tudo - com o PIOR público que um filme pode possuir. Uma mistura disforme de adolescentes na puberdade com pouco ou nenhum poder de concentração, mulheres mal educadas que acham super conveniente conversar dentro do cinema (faz toda a lógica, é escuro e tem um filme passando e pessoas querendo prestar atenção, então, pq não conversar?!) e os velhos "relatores do óbvio". Ah, esses são os que mais me irritam. E não importa quantas vezes eu escreva isso aqui, eu vou sempre repetir. Eu odeio os relatores do óbvio. Um homem com uma faca, uma vítima acuada...polegar, indicador, polegar, indicador(by Malena)...SERÁ QUE ELE VAI SER ASSASSINADO? SERÁ?!!!. Aí o filho da mãe tem que dizer..."Ele vai matar ele.....". Perdoando o Português do retardado...É nada?! Mas ele não consegue continuar respirando se não disser aquilo, o sangue nas veias dele vira pedra se ele não narrar o que vai acontecer. Também conhecida como a "Síndrome Galvão Bueno", isto está dia após dia me afastando das salas de cinema. E quando pelo no North Shopping, um corvo chega na minha janela e diz: Nevermore!!!(e não há ressentimento em suas palavras....)

Aliás, o North Shopping devia render um J Facts, mas tô irritada demais pra pensar neles agora.

O clipe, um dos mais estranhos dos Beatles, You've got to hide our love away, que tem tudo a ver com os tapas na cara.

sábado, 16 de agosto de 2008

3 anos e 7 meses, Personal Che e tapiocas, muitas tapicas

Vou começar o post de hoje deixando bem claro que poucas coisas são tão fantásticas no mundo quanto não trabalhar no Sábado. Trabalhar no sábado é uma coisa que cansa muito. Pode parecer um dia como outro qualquer, mas não é. Se você tem uma semana corrida e só tem o fim de semana para descansar e ainda inventa de trabalhar no sábado, sem fim de semana se resume ao domingo e você vai, em geral, usá-lo para deixar tudo pronto para a semana. Portanto eu digo, devia ser proibido trabalhar dia de sábado. E sendo eu uma pessoa de sábados livres, comemoro. E eu acho que poucas pessoas realmente entendem o que isso significa pra mim.

Muito bem, cantei, afinal, na sexta-feira junto com mommy e foi bom e estranho. Bom porque cantar é sempre bom e pq eu achjo que não fui tão mal assim. Estranho porque eu estou acostumada a cantar do lado de um violão, uma coisa caseira, não um microfone e a impossibilidade de se ouvir. Sim, pq não se ouve nada do que se canta no palco. Estou esperando ouvir a gravação pra ver se eu me vanglorio ou se eu queimo o "compacto". Deixo aqui meu agradecimento a Dna. Plita e o Seu Sávio que foram, ouviram e aturaram até o final.:D



Sábado bom, dormir até tarde, ir assistir filme no dragão, Personal Che. Documentário acerca das várias imagens atreladas ao Che Cuevara ao redor do mundo. E se você pensa que o filme se limitou ao apelo fashion que a imagem do Che tem hoje em dia (a C&A é repleta de blusas "dele"), há quem considere o homem um santo e, pasmem, até Nazista! Como assim? Só assistindo o documentário, bem produzido, embora com uns escorregões, como a interferência na crença alheia e no caráter paradão do mesmo. Sem contar que o operador da sala de projeção foi, sei lá, ao banheiro e nos deixou sem cinco minutos de filme.

Tem uma frase no filme que me deixou bastante pensativa. Um fotógrafo diz, acerca da mais famosa foto do Che, que a coisa mais importante que ele fez na vida inteira foi posar para aquela foto, pois ela eternizou um momento e, para muito, é o resumo do que ele é. Comecei a refletir ainda mais acerca da fascinação da fotografia, das imagens, dos momentos. Guardo minhas fotografias com muito cuidado, revejo-as de tempos em tempos. Eu nunca mais serei tão jovem quanto as fotos de 2, 5, 10 anos atrás. Parece uma coisa estúpida de se pensar mas as fotografias eternizam, elas mantêm os mortos vivos, os momentos vivos. Passo horas olhando pra uma foto só. E consigo reviver tudo aquilo. Isso é fascinante.

A tarde e a noite foram dedicadas a tapiocas. Chegamos em casa do cinema e resolvemos nos entupir desta maravilha indígena e eu, enfim, aprendi a amnhã pra fazê-las fininhas e ainda molhadinhas. O que não suspeitávamos era que, oito tapiocas depois, o Henrique nos ligaria para nos dizer que a comemoração de seu aniversário (que foi dia 14) seria nas Tapioqueiras. E dá-lhe mais tapioca. Foi bom, nunca tinha ido lá, é um cantinho bastante simpático. Queria ter feito a piada clássica de olhar pra garçonete e perguntar: "tem tapioca?", mas me segurei. Só sei que não quero mais ver tapioca na minha frente tão cedo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sobre Os Cinco


Cada um possui características, algumas comuns, outras díspares. Cada um com uma essência clara e outra oculta, uma para todos e outra somente para mim, além de todas as suas demais faces. Faces que não se encaixam, senão em mim. Faces que perderiam-se na multidão daqueles com os quais convivemos sem de fato nos envolvermos. Faces que em mim se unem como num quebra cabeça subjetivo, um espelho de cinco faces que converge em mim.


Ele possui rugas nas laterais da boca, como se risse há 400 anos, rugas que emolduram um sorriso de criança que a poucos é destinado, seja este por ironia, por alegria, por satisafação, por ter convencido alguém. Seus olhos, quse sem pálpebra, escondem para si a percepção do mundo, um mundo, palavras dele, de cores próprias, de conexões e interligações contínuas, simulando "se's", ensaiando saídas, vivendo antes aquilo que o mundo ainda não viu. Ele, que é pra mim diário, que é para mim carinho, presença, sensualidade, companheirismo, alicerse dos meus sonhos, mão unida para sonhos em conjunto, estopim de minhas pequenas e tão importantes evoluções. Ele não rí de minhas piadas, rí de minhas pequenas raivas, rí de mim quando não quis fazer rir, rí comigo de um mundo bem estranho. Ele é uma aconchegante tarde de chuva, envolto em cobertores, cheiro bom de pele subindo ás narinas. Ele é outra banda da meia laranja que eu sou. A Jamie dele é menina e mulher, mãe e filha, é uma irmã erótica.


Ela é como fogo. Constante, efusiva, explosiva e possui em si a calma da intimidade, a certeza do tempo, o conhecimento da convivência. Foi tutora de transformações em mim, a fada madrinha que me surgiu e estendeu o prazo da meia-noite. Suas tatuagens representam o que é ela é, alguém que tomadecisões que fazem parecer as demais alternativas ilógicas, inexistentes. Ela é o carinho de irmã mais velha, sem a cobrança do sangue. É um estar fixo, pincelado por verbos no gerúndio, mas, em essência, no infinitivo. Quando ela me abraça, é como se uma família inteira me abraçasse.

Ele é um conto-poesia. Seus passos são líricos, suas palavras entrelaçam-se à sua rotina, justificando-a, significando-a. O zine no seu bolso é como uma introdução de sí, uma sinopse do "prazer em conhecer-me". É egoísta em essência e isso lhe faz fraterno somente com quem lhe apraz, somente com quem dentro dele existee só dentro dele existe o mundo. Ele pode ser o canalha babando pela bunda que passa, ou o romântico que apaixona-se por um sorriso bobo. Ele chora comigo cantando "She's leaving home". Eu sou, para ele, a coisa mais perto de um amigo homem que uma mulher pode chegar a ser, sem deixar de ser feminina.

Ele possui quatro entonações para meu primeiro nome: a de surpresa, a de indignação, a de raiva (geralmente gerada pela insistência) e a tremida, de riso. Ele ainda é muitas coisas que eu já fui, coisas que eu estou sendo e possui sonhos ao mesmo tempo parecidos e completamente diferente dos meus. Ele descobre as coisas que eu já sei e nisso eu vou reaprendendo, e quando vejo ele vai e me ensina algo novo.Pode ser o coroinha ou o cafetão, pode defender por horas o padrão e no outro minuto provar pizza de rapadura, e isso permite conversas infindáveis enquanto as horas, os trabalhos, as aulas justificam uma presença que vai, em essência, além de tudo isso.

Ela é a irmã mais nova que eu escolhí ter. Ela é doce e de sentimentos delicados, tão à flor da pele que saltam de sí para as folhas de papel de sua agenda como um rio que dá no mar por ser este o fluxo natural das coisas. É a reencarnação da Clarisse Lispector, sem o narigão.Ela lembra de pequeninas coisas de diálogos passageiros, manda mensagens de boa noite e de boa sorte e faz a vida parecer um pouco mais sentimental, como suas coloridas bolsas que dizem mais dela do que ela mesmo é capaz de imaginar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sobre o laboratório da UECE, PCs e sobre cantar

Exemplar parecidíssimo com a "belezura" que foi meu primeiro PC

"Posto" de um lugar incomum: do laboratório de informática da UECE. Pense num lugar que pisei pouquíssimo! Sem a cara de pau necessária para se entrar em uma aula de grego às 8:36, resolví gastar R$1,00 do cartãozinho e fazer alguma coisa de útil. Tão útil quanto postar no próprio blog pode ser. E é engraçado pq eu tinha um cartão desse em 1512. Lembro que pra conseguir o cartão no meu primeiro semestre, era necessário apresentar um certificado de um curso de informática que o indivíduo tenha cursado, o histórico ou declaração do curso e a graninha. Hoje eu cheguei lá dei "os 1 real" e fui feliz. De fato, afixado na cortiça ainda presente na sala, estão estas recomendações. Mas elas não fazem sentido hoje em dia. Primeiro, por que uma parcela assombrosa da população já sabe mexer nesta bendita máquina chamada computador, ás vezes melhor que qualquer outra coisa na vida. Depois, eles deveriam exigir na verdade um curso de informática para computadores mais antigos pois esses aqui são pré-históricos. Do tempo que a gente chamava a CPU de "CPU torre", daqueles que tem um botão turbo pra quando a máquina travar você dá um tapão, mas um tapão virtual, não daqueles que o monitor voa longe. Me lembro do meu primeiro pc, que usava ainda o DOS ( CD:/ windows kkk) ainda da tela verde e que pegava Floppy disc, um troço quase do tamanho de uma mão que não armazenava nem o que um disquete armazena, isso junto de uma impressora daquelas que pegava aquele papel com furinhos, e tão arcaica que se você mexesse no texto digitado no Word Star, o word da época, enquanto a impressora imprimia, suas alterações saíam no papel. Depois disso, veio o windows 3.1 e pra mexer nele eu precisei fazer um curso na Sigma, que era o cúmulo da modernidade em Pacoti. Era tudo tão novo! Tinha cores, um mouse, tudo tão interativo, cheio de janelas. O windows 3.1 era na verdade como uma grande mesa bagunçada, daquelas que quanto mais você arruma, pior fica. As janelas ficavam todas abertas na área de trabalho e ai de você se miniminizasse, haja zé pra achar de novo aquele diretório importantíssimo. Foi nele que me senti a maior artista plástica de todos os tempos por ter descoberto como fazer efeito de neve no Paint (baldinho pra pintar a tela de preto, ferramenta spray no branco, pressiona o botão esquerdo do mouse e displicentemente faça linhas horizontais e verticais. Fica lindo:D). Dele pro 95, pro 98, pro 200o, pro Mx até chegar no atual XP, o windows mais bonitinho, prático que enfim conhecemos. Ah, durante um tempo tentei usar o linux, mas como o mundo é do Windows é um saco ficar salvando tudo para ser compatível com o windows e por mais que eu admire a iniciativa do Linux, a preguiça me venceu, assim como venceu quase todo mundo. Meu único amigo que ainda usa Linux, que eu saiba, é o Roger. Mas quem tem a determinação necessária pra parar de fumar e ser vegetariano, usar Linux é fichinha:P

Hahahahahahahaha...acabei de me lembrar que a coisa mais importante que aprendi sobre computadores é que a PORCARIA da tecla de Insert pode te dar muita, muita dor de cabeça.




Marisa Monte sempre me lembra minha mãe. Acho que pela voz parecer, pelo jeito calmo, por elas duas sempre parecerem estar embebidas em Óleo Séve, serem cheirosas e com tendências meio indianas...

Hoje minha mãe cantará num barzinho/estúdio chamado Vocalize. E por mais que seja uma apresentação pequena, com um repertório limitado a em média 30 músicas, sei que representa muito para ela e eu estarei lá, sem dúvida. Até pq faz 14 anos que não ouço minha mãe cantar e, como em mim, cantar é uma necessidade para ela. Cantar nos faz feliz. E modéstia à parte, minha mãe canta muuuito bem. Pra quem não sabe, meus pais, minha mãe e meu pai biológico, tinham uma banda cover de Beatles, o The Shout. Tínhamos um pequeno estúdio de ensaio nos fundos da casa com as parades forradas com caixas de ovos para abafar o barulho e eu adorava ficar vendo os infindáveis ensaios e, quando podia, ir aos shows. Eu me apaixonei pela música bem cedo, convivendo com músicos e seu universo sofrido-fantástico, babando pelas roupas dos shows da minha mãe (lembro especialmente de uma bolsa de franjas que minha mãe tinha absolutamente escândala!), isso sem contar com a mágica dos palcos, das luzes, do cheiro formidável do gelo seco. Não escondo pra ninguém que o sonho da minha vida é, enfim, ter uma banda e nela ser vocalista. Até banda de baile rolava, não sendo forró eu estaria lá. Tenho uma admiração imensa por aqueles que sabem tocar um instrumento musical pois o único que eu conseguí dominar até hoje foi minha própria garganta, até com a panderola eu me embanano. Quem sabe na minha terceira idade, com a vida ganha e filhos criados eu possa, enfim, realizar meu sonho. Minha mãe nem precisou esperar tanto.

Literatura traduzida me espera, vamos enfim terminar os sonetos de shakespeare:D