quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sobre Os Cinco


Cada um possui características, algumas comuns, outras díspares. Cada um com uma essência clara e outra oculta, uma para todos e outra somente para mim, além de todas as suas demais faces. Faces que não se encaixam, senão em mim. Faces que perderiam-se na multidão daqueles com os quais convivemos sem de fato nos envolvermos. Faces que em mim se unem como num quebra cabeça subjetivo, um espelho de cinco faces que converge em mim.


Ele possui rugas nas laterais da boca, como se risse há 400 anos, rugas que emolduram um sorriso de criança que a poucos é destinado, seja este por ironia, por alegria, por satisafação, por ter convencido alguém. Seus olhos, quse sem pálpebra, escondem para si a percepção do mundo, um mundo, palavras dele, de cores próprias, de conexões e interligações contínuas, simulando "se's", ensaiando saídas, vivendo antes aquilo que o mundo ainda não viu. Ele, que é pra mim diário, que é para mim carinho, presença, sensualidade, companheirismo, alicerse dos meus sonhos, mão unida para sonhos em conjunto, estopim de minhas pequenas e tão importantes evoluções. Ele não rí de minhas piadas, rí de minhas pequenas raivas, rí de mim quando não quis fazer rir, rí comigo de um mundo bem estranho. Ele é uma aconchegante tarde de chuva, envolto em cobertores, cheiro bom de pele subindo ás narinas. Ele é outra banda da meia laranja que eu sou. A Jamie dele é menina e mulher, mãe e filha, é uma irmã erótica.


Ela é como fogo. Constante, efusiva, explosiva e possui em si a calma da intimidade, a certeza do tempo, o conhecimento da convivência. Foi tutora de transformações em mim, a fada madrinha que me surgiu e estendeu o prazo da meia-noite. Suas tatuagens representam o que é ela é, alguém que tomadecisões que fazem parecer as demais alternativas ilógicas, inexistentes. Ela é o carinho de irmã mais velha, sem a cobrança do sangue. É um estar fixo, pincelado por verbos no gerúndio, mas, em essência, no infinitivo. Quando ela me abraça, é como se uma família inteira me abraçasse.

Ele é um conto-poesia. Seus passos são líricos, suas palavras entrelaçam-se à sua rotina, justificando-a, significando-a. O zine no seu bolso é como uma introdução de sí, uma sinopse do "prazer em conhecer-me". É egoísta em essência e isso lhe faz fraterno somente com quem lhe apraz, somente com quem dentro dele existee só dentro dele existe o mundo. Ele pode ser o canalha babando pela bunda que passa, ou o romântico que apaixona-se por um sorriso bobo. Ele chora comigo cantando "She's leaving home". Eu sou, para ele, a coisa mais perto de um amigo homem que uma mulher pode chegar a ser, sem deixar de ser feminina.

Ele possui quatro entonações para meu primeiro nome: a de surpresa, a de indignação, a de raiva (geralmente gerada pela insistência) e a tremida, de riso. Ele ainda é muitas coisas que eu já fui, coisas que eu estou sendo e possui sonhos ao mesmo tempo parecidos e completamente diferente dos meus. Ele descobre as coisas que eu já sei e nisso eu vou reaprendendo, e quando vejo ele vai e me ensina algo novo.Pode ser o coroinha ou o cafetão, pode defender por horas o padrão e no outro minuto provar pizza de rapadura, e isso permite conversas infindáveis enquanto as horas, os trabalhos, as aulas justificam uma presença que vai, em essência, além de tudo isso.

Ela é a irmã mais nova que eu escolhí ter. Ela é doce e de sentimentos delicados, tão à flor da pele que saltam de sí para as folhas de papel de sua agenda como um rio que dá no mar por ser este o fluxo natural das coisas. É a reencarnação da Clarisse Lispector, sem o narigão.Ela lembra de pequeninas coisas de diálogos passageiros, manda mensagens de boa noite e de boa sorte e faz a vida parecer um pouco mais sentimental, como suas coloridas bolsas que dizem mais dela do que ela mesmo é capaz de imaginar.

8 comentários:

Paula disse...

Posso nem dizer qual ficou melhor, pq mal conheço o restante do pessoal, mas a do Felipe ficou muuuito boa!

Plita tá com ciúmes! Plita é amiga velha, mas dá pra fazer upgrade! Oras! sniff, sniff...

roger disse...

Eita ..gostei muito.Bem legal ....

a. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
a. disse...

Jamie, Jamie!
Você conseguiu me deixar realmente sentimental hoje, hein, menina? Me fez chorar duas vezes! Poucas pessoas têm o dom de me fazer chorar contra a minha vontade, ou melhor, involuntariamente, (se é que se pode dizer isso de choro).
Discordo sobre o que você falou sobre ter perdido o lirismo; sobre seu blog ser agora só de futilidades. Você falou de pessoas tão lindas, que conheco em graus diferentes, mas não tanto quanto você mesma. E, embora tenhamos nosso crédito na estória, você nos faz bonitos assim, Jamie. Seja num sorriso pueril, ou em gestos fantásticos que te apaixonam todos os dias; seja na voz que te apóia e ao mesmo tempo corta teu drama; seja na mão que segura teu braço quando quer dizer algo importante; seja no cafuné que é dado apenas quando preciso. Seja no amor que é recebido e dado de volta.Você realmente treinou no espelho aquele olhar amigo, hein? Ou na verdade ele já é parte sua.
Você nos vê belos assim, Jamie,e é por isso que te gosto tanto. Porque perto de você,'I'm so much more than I know', remember? E porque também vejo em ti o mistério, a solitude, o lirismo, e a beleza.
Tive muita sorte de te encontrar como irmã mais velha, minha amiga-girassol-que-também-é-rosa.

J disse...

Plita, sabe que eu por várias vezes tive receio de colocar este texto aqui pois este grupo, o grupo dos cinco, possuem caracteristicas bem próprias, contextualizadas e é uma loooonga historia. Vc não deixa de ser bastante especial para mim por não estar aí descrita. Quanto a ser amiga velha, avon resolve :P

Ananda...

Acho que o seu comentário só justifica o meu sobre vc, embora eu não concorde quando vc diz que eu faço de vcs belos. Vcs são belos em essência, eram belos antes de me conhecer e continuarão sendo depois que eu morrer.

Fernando Jr. disse...

It seems like I`m an old version of you... Like you had the opportunity of meet another you, similar but different at the same time. I feel kinda predictable... Weird.

RABELO, Aline disse...

sobre o tema da perda do lirismo, tenho algo a comentar, devido a que me passou algo semelhante. costumo dizer que nao tenho um eu-lirico simplesmente pq ele foi embora qdo tbm se foi da minha vida aquele que era a inspiracao e a razao de todo e qualquer lirismo que por ventura chegasse a se manisfestar em meu ser. ele me inspirava totalmente. me inspirava mais do que a mais linda poesia, ou os mais doces acordes musicais, pelo simples motivo de q até mesmo a mais linda poesia, ou os mais doces acordes eram um reflexo exato dele, uma copia fiel de sua beleza e sua doçura.
mas qdo ele se foi... ja nao me restou nada.

assim, por nao ter um "eu-lirico", preciso estar sempre tentando compensar essa falta de alguma maneira, por exemplo, com um "você-lírico", e o que acontece é que meus sentimentos e suas expressoes ja nao se baseiam em um "eu-lirico", mas agora se baseiam e se resumem unicamente em um "VOCÊ-lirico".

J disse...

Fernando,

You mean, a NEW version, uh? Since you're only 20.
And yes, similar but different at the same time.
About being predictable, sometimes, yeah, pretty predictable but, sometimes, really surprising.
Is it weird? What's weird? the analysis or the fact that you're kinda predictable?

Aline,
Durante um tempo eu me senti assim. A gente tem essa estranha mania de atrelar nossa felicidade aos outros, ao fato de estar com alguém, de ser amada por alguém, de fazer alguém feliz. Isso só traz inefelicidade, mas quem é que faz diferente? A gente aposta todas as fichas no outro e no final é a gente que se machuca. Seu eu-lírico está aí, guardado em algum lugar de você, em algum lugar que você deixou de visitar por medo das lembranças, por medo de sofrer. Quem sabe ele seja aflorado por um outro, ou pela perspectiva de um outro. Quem sabe ele nunca mais aflore. O importante é que você saiba que ele está em você como um vírus que espera pra se mostrar. O que você tem feito pelo seu eu-lírico?