sexta-feira, 27 de junho de 2008

Sobre morgar e a diferença na rotina dos professores e demais profissões





Dia morgado. Fiz nada de bom e minhas costas e bunda dôem de tanto ficar alternando num cansativo processo de sentar e deitar. Há quanto tempo não fazia isso: não fazer nada. E o sentimento de culpa por poder estar fazendo algo de mais interessante só me incomodou duas vezes: quando levantei realmente determinada a fazer um bolo de milho e quando retornei da cozinha pensando no trabalho que isso daria. Nunca assistí tantos episódios dos Simpsons, nunca zapeei por tanto tempo a TV, nunca esgotei a paciência para ver todos os vídeos que me pareciam interessantes e que se mostraram plenamente irritantes. O tempo passa bastante devegar quando você nada faz. E, caramba, os gatos realmente dormem muito. Por falar em gato, fiz algumas fotos do bichano. Todo posista...

Ah....preguiça fantástica. E se dizem que depois tormenta vem a calmaria, eu inverto. Na segunda-feira recomeçam as aulas da UECE e, embora eu esteja realmente animada (os leitores deste blog já devem ter enjoado de tanto eu dizer isso), sei que tempos bastante cansativos vem por aí. Afinal, eu me desacostumei a me acordar tão cedo, me desacostumei a passar uma manhã inteira sentada, ouvindo e falando pouquíssimo:P A rotina de trabalho faz com que a gente se desacostume a realizar tarefas que...bem, eram exatamente as tarefas que sempre fizemos. Estive pensando nisso nessa semana, na rotina desta profissão que é, afinal, tão diferente das demais profissões. Estava conversando com o amigo que foi criticado por outro amigo como sendo preguiçoso por não trabalhar 8 horas por dia. E fiquei pensando que, embora não trabalhemos 8 horas por dia, chegamos em casa às vezes bem mais cansados do que alguém que passa o dia sentado em uma cadeira diante de um computador ou atendendo pessoas. Para estas pessoas, uma hora soma-se às outras em uma dinâmica bem diferente da nossa. Cada hora é essencial, a cada hora temos intensa responsabilidade pelo aprendizado e conhecimento de um grupo de pessoas, temos que ensiná-las e motivá-las, não importa como estejamos por dentro. E depois disso, temos kilos de homework e o planejamento da próxima aula. Às vezes com um minuto de intervalo entre uma aula e outra, às vezes adiando refeições, ligações, adiando descanso. Pode parecer dramático do jeito que for, mas ser professor não é algo fácil. E pq não possuímos a rotina que a carteira de trabalho prega, se trabalhamos por quatro horas, é como se tivessemos trabalhado doze. Gosto do que faço e gosto também de pensar que posso fazer meus horários, que se em um semestre não quero trabalhar as segundas, não o faço, se não quero enterrar meu sábado de lazer em aulas, tenho esta opção. Um trabalhador comum, a não ser em um cargo de chefia, não tem a mesma sorte. Chefes não costumam distribuir folhinhas de disponibilidade para seus empregados em todas as profissões e nem negociam e barganham horários com seus empregados. Este é um dos lados bons da profissão que escolhí: flexibilidade. E, sinceramente, não troco esta flexibilidade por nenhum emprego que me permita looongas horas de cafezinho e vendas de avon. Não trabalho oito horas por dia, trabalho vinte e quatro. Meus pensamentos sobre meu trabalho, meus alunos e que tipo de professora eu sou me acompanham desde que acordo até o momento que vou dormir. E às vezes até sonho com eles. A última coisa que se pode chamar um professor é de preguiçoso.

À propósito, coisas lindas da profissão. Ganhei uma carta de quatro metros repleta de "eu te amo", "você foi a melhor professora que eu já tive". Me pergunta se eu prefiro vender roupas no shopping?

6 comentários:

Paula disse...

Sem querer ser chata, mas já sendo:

o pior é que tem gente que vai te achar babaca com ou sem esses argumentos. Conheço uma pessoa que ri na minha cara quando digo que pedirei esmola, mas não farei qualquer concurso (só concurso para ser PROFESSORA).

Tudo depende do que vc tem como prioridade e de como vc vê a vida e como vc quer que seja sua vida.

Tem gente que prefere trabalhar com uma rotina de máquina pro resto de sua existência e ganhar muito dinheiro (o dinheiro que mal vai poder gastar), e gente que prefere dormir bem, ter amigos, curtir o pouco que tem (que pode naõ ser muito, mas é bem apropriado ao que se quer ter).

Visões de mundo.

p.s.: Filma o Gato fazendo alguma coisa engraçada devidamente ensaiada e coloca no Iutubíu!

roger disse...

Menina,adorei a foto do(a) bichano(a)!
O meu irmão é professor de português e Francês em escolas publicas ( estado e município) no interior.Ele passa 101% das horas exausto. Como se não bastasse os alunos ainda o deixam nas férias de Desembro e Janeiro fazendo provas pro alunos de Ré-ré-ré-recuperação.
Férias pra ele só em Julho e olhe lá porque o CREDE 13 aproveita essa época pra fazer reuniões e cursos intermináveis.

Se existir Céu, os professores são os primeiros a entrar, asim como,se existir Inferno,os Advogados são os construtores de lá!
Bjos

P.S.: Respondi teu comentário no meu Blog.

roger disse...

Duas coisas: Dezembro e outra...
Pra voc ver como é uma porcaria essa educaçãono Brasil: o meu irmão tá dando aulas de inglês. Ele não tem formação academica mas os alunos optaram pelo inglês ao francês e mesmo assim os "veados" ainda reprovam e ficam querendo aggora espanhol. Já disse pra ele mandar eles todos tomarem no ... deixa pra lá!

a. disse...

Três comentários:
1. Amei a foto do gato! hihi
2. Sobre a segunda foto...Depois da festa francesa você vai dar aula nesses trajes, né, Jamie?
3. É, a nossa profissão é linda e você é A professora. Afinal, não é todo mundo que ganha uma carat digna de galã da globo. A cada dia me pergunto mais e mais: "por que eu não nasci igual à Jamie?"

E uma pergunta: Como se põe foto no post?

Ei,eu nunca tinha pensado na vantagem da disponibilidade!

J disse...

comentários dos comentários da Ananda:

1. Fofis :D
2. Hehehe... vc acha que eu uso O QUE por debaixo do jaleco?:P
3. Sinto-me o Bruno Gagliasso...kakakak
que horror....kakakaka

Quanto a foto do post, quando vc vai postar tem dois iconizinhos, um que é um vídeo e outro que é uma foto. Tu clica na foto e uploadieia:D

A disponibilidade, minha cara, é a pílula vermekha!:D

J disse...

Sobre o comentário da Plita:
odiaria ser uma máquina. isso me dá calafrios!
queria ter uma câmera...:(

Comentários do Roger:
Vida de professor de curso é diferente da vida de professor de colégio. Essa vida aí DEUZÓLIVE!